Pesquisador do Icict concorre como “Liderança Emergente” em Comunicação

por
Graça Portela
,
16/05/2017

O pesquisador do Laboratório de Comunicação e Saúde (Laces), Igor Sacramento, é um dos quatro indicados na categoria “Personalidades – Liderança Emergente” da Comunicação do Prêmio Luiz Beltrão 2017, concedido pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação – Intercom. A premiação será realizada durante o 40º Congresso Nacional da Intercom, que acontece entre os dias 4 e 9 de setembro de 2017, na Universidade Posivito, em Curitiba, no Paraná.

O Prêmio Luiz Beltrão, que em 2017, em sua 20ª edição, recebeu cerca de 30 indicações, é outorgado anualmente a pesquisadores e instituições que “contribuem de forma significativa para os estudos em comunicação no país”. Sacramento está concorrendo com Angela Cristina Salgueiro Marques, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMB), Rafael Fortes Soares, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) e Valci Regina Zucoloto, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Pesquisas desenvolvidas 

Além de pesquisador em Saúde Pública, Igor Sacramento é coordenador do curso de especialização em Comunicação e Saúde – C&S, professor colaborador do Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde (PPGICS) e editor associado da Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde – Reciis. Atualmente, ele coordena dois projetos que integram um programa de pesquisa desde 2013 e que tem por objetivo “analisar as transformações exercidas pelo discurso terapêutico e pelo regime de visibilidade contemporâneo nos processos de subjetivação, identificação e representação, especialmente em narrativas pessoais sobre saúde e doenças”. Os projetos são: “Diante da dor dos célebres: o ethos terapêutico nos testemunhos televisivos de sofrimentos íntimos”, que tem o apoio da Faperj e do CNPq, e “As celebridades e a espetaculiarização do estilo de vida saudável: biografia, experiência e aconselhamento na mídia contemporânea", iniciado em 2015, com apoio do CNPq e do PIBIC-CNPq-Fiocruz.

Explicando seu objeto de estudos, Sacramento afirma que “a Internet tem sido um espaço de intensa interação social e, portanto, não pode ser desconsiderado pelos estudos de Comunicação e Saúde. Além de produzirem sentidos sobre saúde e doença, mobilizam novas formas de interação, mediação e vinculação entre enunciador e enunciatário, dentro da estruturação de uma comunicação em rede. Por outro lado, têm permitido que indivíduos comuns evadam suas intimidades, seus sofrimentos íntimos, numa contexto marcado por um ideal de subjetividade caracterizado pela exterioridade, pela exposição, pelo espetáculo e pela midiatização. Esses desdobramentos têm sido desenvolvidos em parceria com o meu colega de Laces, Wilson Borges, com quem estou escrevendo diversos textos”.

Além disso, o pesquisador também participa de duas redes de pesquisa na interface entre Comunicação e História: “Historicidade dos Processos Comunicacionais”, que reúne grupos de pesquisa do campo da Comunicação como UFBA, UFRJ, UFMG, Fiocruz, UFOP, UFRB e UFPI, e o Patrimonie-Imagé-Médias-Identité (PIMI), que conta com instituições de pesquisa e ensino brasileiras e francesas.

Em entrevista ao site do Icict, Igor Sacramento falou da surpresa e emoção em concorrer ao Prêmio Luiz Beltrão, e também sobre suas expectativas.

Como o senhor viu a sua indicação na categoria "Personalidades - Lideranças Emergentes"?

A indicação me pegou realmente de surpresa num primeiro momento. A Intercom é uma instituição muito importante na minha carreira como pesquisador. Já fui agraciado pelo Prêmio Francisco Morel por melhor trabalho apresentado por aluno de mestrado em 2006, pelo segundo lugar no Prêmio Freitas Nobre (pelo trabalho escrito e apresentado com a colega de Laces, Katia Lerner, enquanto estava no doutorado, em 2009). Então, a indicação ao Prêmio é em si mesma um reconhecimento importantíssimo para a minha carreira como pesquisador. Ela me estimula muito a continuar acreditando na pesquisa e na docência como formas de contribuir para a construção de um Brasil melhor por meio da formação de cidadãos críticos; reconhece, ainda, a minha dedicação à pesquisa e ao ensino, me incentivando a continuar buscando excelência no meu trabalho, bem como seguir construindo laços afetivos e parcerias com alunos e colegas procurando inovar em abordagens, propondo novas perspectivas e questões do que meramente repetir certas opções teórico-metodológicas como fórmulas ou, pior ainda, como normas. Estou muito feliz com essa indicação.

O que muda agora com essa indicação? Como isto se reflete em sua carreira e também em suas pesquisas?

É a responsabilidade que aumenta com essa indicação. Fico extremamente grato que meus colegas tenham reconhecido em mim potencial para ser uma liderança no campo da Comunicação no Brasil. A Intercom é a instituição de pesquisa que tem enorme relevância histórica e contemporânea para a definição das políticas, dos temas, dos objetos e dos problemas da Comunicação. Realiza um dos mais importantes congressos na área, que serve, para além de um importante fórum de discussão e de registro do perfil de pesquisa, de um espaço de sociabilidade bastante democrático, envolvendo desde alunos de graduação a pós-doutores com grande maturidade acadêmica. Estou muito feliz com essa indicação, porque ela veio de uma instituição que participou da minha formação como pesquisador.

O senhor foi indicado como pesquisador pela UFRJ... Mas, e para o Icict, o que representa esta indicação?

Na verdade, houve algum erro. Sou pesquisador do Icict e também atuo como professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura na Escola de Comunicação da UFRJ. Na verdade, minha vinculação atualmente é dupla: Fiocruz/UFRJ.

Eu acho que para o Icict essa indicação é importante. Como uma unidade técnico-científica especializada em Informação e Comunicação em Saúde, todas as formas de reconhecimento de pesquisadores, projetos e iniciativas tornam mais visíveis nossas atividades e vão consolidando a nossa vocação para sermos referência nos estudos na área.

Sobre a Intercom

A Intercom, que existe há 40 anos, é “destinada ao fomento e à troca de conhecimento entre pesquisadores e profissionais atuantes no mercado. A entidade estimula o desenvolvimento de produção científica não apenas entre mestres e doutores, mas também entre alunos e recém-graduados em Comunicação, oferecendo prêmios como forma de reconhecimento aos que se destacam nos eventos promovidos pela entidade.Ela também é responsável pelo lançamento de livros e revistas especializados em Comunicação, e pela busca de parcerias com entidades de mesmo objetivo e institutos e órgãos de incentivo à pesquisa brasileiros e estrangeiros. Esse intercâmbio é um incentivo à formação científica, tecnológica, cultural e artística, além de uma forma de capacitar professores, estudantes e profissionais da Comunicação.”

 

Crédito da foto: Igor Sacramento - arquivo pessoal

Comentários

Além de ser um excelente professor, o Igor é um generoso orientador, que vem com uma "mala" de livros na primeira orientação (que assusta qualquer um rsrs), mas todos sempre ótimos para desenvolver um bom trabalho de pesquisa.

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Laboratório de Comunicação e Saúde - LACES

Atua na interface entre “Comunicação e Saúde: Políticas Públicas e Participação Social” e “Análise das Relações entre Mídia e Saúde”.

Para saber mais

Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz)
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