'Comunicação, Mídia e Saúde': Revista Radis apresenta livro que celebra 30 anos do Icict

por
Revista Radis
,
12/01/2018

Motivada pelos 30 anos do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), em 2016, publicação 'Comunicação, mídia e saúde', organizada por Cristiane d’Avila (COC/Fiocruz) e Umberto Trigueiros (Icict/Fiocruz), reúne diferentes reflexões sobre o tema. O livro trata de novos agentes e novas agendas nas áreas de interface entre a comunicação e a saúde e tem prefácio da pesquisadora Inesita Soares de Araujo (Laces/Icict/Fiocruz), e a participação dos autores: Adriana Aguiar, Angela Cuenca, Angélia Silva, Cesar Garcia Lima, Cláudia Malinverni, Cristiane D'Ávila, Denise Espiúca, Fernanda Lopes, Guilherme Canedo, Igor Sacramento, Irene Kalil, João Figueira, Pedro Motta, Umberto Trigueiros, Wagner de Oliveira e Wilson Borges.

A Revista Radis deste mês, traz um texto sobre a publicação, assinado pelo pesquisador Wilson Borges, do Laboratório de Comunicação e Saúde do Icict (Laces), que reproduzimos a seguir.
(Ascom/Icict)

Alternativas para dias nebulosos
Livro reúne reflexões e interfaces entre comunicação, informação e saúde

“Comunicação, mídia e saúde” é, simultaneamente, marco de celebração e janela para o futuro. Motivados pelas comemorações dos 30 anos do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), os organizadores Cristiane d’Avila e Umberto Trigueiros reuniram “um time de autores a nos presentear com reflexões inovadoras, instigantes e de grande qualidade científica". Embora uma publicação comemorativa, nos advertem, está voltada para o “ensino e a pesquisa sobre comunicação e informação” e suas interfaces com a saúde. Mas, tempo de enaltecer é tempo de vigiar.

Não sem contradições e conflitos, foram sendo criados espaços para a comunicação em sua articulação com a saúde. A própria emergência do Sistema Único de Saúde (SUS) e a definição da “participação como eixo estruturante de suas ações, posicionaram a comunicação no centro do seu projeto: sem comunicação não há genuína participação e sem participação não se efetivam alguns de seus importantes princípios”, como destaca o prefácio, nos mostram que, seja a construção do sistema de saúde brasileiro, seja a interface Comunicação e Saúde, não estamos diante de projetos acabados. Antes, são bases sobre as quais é preciso avançar. Com essa mirada, a obra, naquilo que marca as três décadas do Icict, anuncia o 30º aniversário do SUS, trazendo reflexões que extrapolam a perspectiva utilitarista com que a comunicação era tomada.

Quando trabalhos como “Quando o vírus, bactérias e mosquitos chegam ao notíciário” (de  Wagner de Oliveira) e “Epidemias midiáticas, a doença como um produto jornalístico” (de Cláudia Malinverni e Angela Cuenca) colocam em cena algumas das formas pelas quais a imprensa põe em evidência determinadas expressões, mediando o debate sobre a forma como a saúde pública deve ser vista pela população, o que nos mostram é um falso debate. Na verdade, não há apenas um conjunto de notícias e reportagens, mas uma ação política deliberada por parte dos jornais, tomando claramente uma posição na direção de contribuir para o desmanche daquilo que o SUS enseja.

Olhar semelhante está contido em “A retórica da medicalização e a justificativa moral para a cirurgia bariátrica nos relatos de celebridades” (de Igor Sacramento e Wilson Borges). O que nele aparece valorizado é a forma pela qual a retórica da medicalização (presente em outros dispositivos midiáticos) defende e valoriza certa linha do discurso de promoção da saúde que qualifica a busca por tais cirurgias como escolha saudável. Entretanto, há resistências e outras formas de ver o processo. É o que está presente em “Perspectiva comunicacional de telessaúde como oportunidade de empoderamento” (de Angélica Silva). Neste trabalho, defende-se que o estudo de telessaúde pelos campos da informação e da comunicação pode contribuir para que seu significado seja ampliado e a população, empoderada.

Preocupações com a comunicação entre população e profissionais de saúde são o eixo central de “Análise crítica das Novas Diretrizes Curriculares Nacionais para cursos de Medicina: a concepção de comunicação, cultura e contextos” (de Adriana Aguiar, Wilson Borges e demais autores). Há neste trabalho uma viragem na forma como a relação Comunicação e Saúde é incorporada na formação médica no Brasil. Se antes a “competência em falar” era valorizada, com a nova normatização, cultura e contexto passam a ser noções centrais nesse processo de comunicação. O que tais diretrizes anunciam, subrepticiamente, é que outros saberes devem ser valorizados. Afinal, tudo aquilo que ouvimos, lemos, assistimos conformam a maneira como agimos no mundo.

Ainda que não exclusivamente, um dos grandes dispositivos mediadores entre os atores sociais e o mundo é o jornalismo, especialmente pela forma como narra questões do cotidiano de uma maneira pretensamente distanciada. Entretanto, especialmente a partir de certa popularização das chamadas tecnologias digitais, o jornalismo parece estar entrando em xeque. Essa é a questão central de “O jornalismo e seu labirinto” (de João Figueira) e de “Indagações à identidade jornalística na era do virtual e da cultura da rede" (de Fernanda Lopes). Nestes capítulos, os autores refletem sobre um conjunto de transformações que “tira da imprensa” o lugar de grande referência de produção e disseminação da realidade.

Encerrando o livro, “Literatura brasileira e comunicação: das cartas modernistas às redes sociais” (de Cesar Lima), contempla formas pelas quais a literatura brasileira “se reiventou”, para sobreviver nos últimos cem anos. A porta aberta, seja por este último capítulo seja pelos que o precederam, parece querer nos dizer alguma coisa. Num momento histórico marcado por várias novidades e muitas incertezas, “Comunicação, mídia e saúde” nos provoca a pensar em alternativas para o futuro. Para nós, quanto mais nebuloso é o dia, maior é a certeza que em breve o sol poderá voltar a raiar.

Autor: Wilson Borges
Pesquisador do Icict/Fiocruz

Leia a Revista Radis, edição Jan/2018: http://bit.ly/Radis_J2018

"Comunicação, Mídia e Saúde" terá lançamento oficial no primeiro semestre de 2018, e, em breve, será disponibilizado na internet.

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Livro 'Comunicação, Mídia e Saúde' tem pré-lançamento, em 13/12

Publicação conta com artigos de pesquisadores do Icict/Fiocruz e autores convidados. Lançamento ocorre em parceria com Editora Fiocruz

Para saber mais

Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz)
Av. Brasil, 4.365 - Pavilhão Haity Moussatché - Manguinhos, Rio de Janeiro
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