Terceiro módulo da Pesquisa Nacional de Saúde traz dados inéditos sobre a saúde da mulher

por
André Bezerra
,
21/08/2015

Alertas sobre a alimentação das crianças menores de dois anos, sobre o alto índice de partos cesáreos no país e limitações relacionadas ao envelhecimento da população brasileira são alguns dos pontos levantados pelos dados do Volume 3 da Pesquisa Nacional de Saúde – PNS 2013: Ciclos de Vida, que foi lançado na sexta-feira, 21 de agosto, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e Ministério da Saúde.

O terceiro módulo da pesquisa traz informações sobre pessoas com deficiências, saúde dos idosos, saúde da mulher, atendimento pré-natal e assistência ao parto e crianças com menos de dois anos de idade. O volume traz ainda resultados de aferições realizadas em mais de seis mil unidades de pronto atendimento com medidas antropométricas visando calcular o índice de massa corporal e pressão arterial.

Realizada em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz, sob coordenação da pesquisadora do Laboratório de Informação em Saúde (Lis/Icict) Celia Landmann Szwarcwald, a PNS traz dados consistentes sobre o acesso a serviços de atendimento às gestantes. Cerca de 97,4% das mulheres que tiveram partos nos dois anos anteriores à coleta de dados tiveram acompanhamento pré-natal.

No que se refere à modalide de parto, apenas 45,3% das mulheres tiveram filhos por meio de parto vaginal. É um número bem abaixo do parâmetro estabelecido como ideal pela Organização Mundial de Saúde, que é de 85%. O Ministro da Saúde, Arthur Chioro, chegou a avaliar o dado como “uma epidemia de cesarianas” no Brasil. Ele ressaltou que não se trata de criminalizar o procedimento, os médicos que os realizam ou as mulheres, pois em alguns momentos são necessários. Por outro lado, destacou que a cesariana realizada sem indicação correta aumenta em 120 vezes o risco de prematuridade e em 24% a mortalidade neonatal.

Na questão da saúde das mulheres, a pesquisa mostra que os exames preventivos para câncer de colo do útero superam a expectativa da OMS, chegando a 79,4% a proporção de mulheres que realizou o exame no período da pesquisa. Já o exame de mamografia cobre 60% da população feminina. “A gente vê que já estamos praticamente atingindo a meta de consultas e exames ginecológicos. Muitas mulheres deixam de fazer os exames não devido à indisponibilidade de serviços, mas da falta de informação sobre a necessidade de fazê-los”, comentou Swarcwald.

No que diz respeito à saúde dos idosos, 17,3% tem dificuldades para realizar atividades instrumentais da vida diária. “Os dados de funcionalidade em idosos estão consistentes com a literatura, e, obviamente, como a nossa população está envelhecendo cada vez mais, a gente tem uma maior proporção de incapacidades”, avalia a pesquisadora.

Sobre pessoas com deficiências a PNS aponta que 6,2% de toda a população brasileira tenha alguma deficiência, podendo ser física, intelectual, visual ou auditiva. É um universo de quase 12 milhões de pessoas que requerem políticas públicas adequadas não apenas no que diz respeito ao acesso a cuidados de saúde, como questões como acessibilidade, dentre outras.

Má alimentação na infância e sobrepeso entre adultos

Ministro da Saúde, Arthur Chioro, e a presidente do IBGE, Wasmália Bivar, no lançamento do Volume 3 da PNS. Foto: Ascom/IBGE.

Mais de 30% das crianças consomem refrigerantes ou sucos artificiais antes dos dois anos de idade. A mudança nos hábitos alimentares precupa o Ministro da Saúde. Além disso, 61% já consomem alimentos com muita quantidade de açúcar, como bolos, biscoitos e doces. Em adultos, as aferições apontam excesso de peso em mais da metade da população feminina e masculina, além 16,8% de obesidade entre homens e 24,4% em mulheres.

Durante o lançamento, o Ministro da Saúde, Arthur Chioro, saudou a importância da PNS para a tomada de decisões na gestão da saúde pública no país. “A pesquisa é muito significativa para orientar não só o serviço de saúde, o SUS, mas as famílias, a sociedade brasileira no sentido da adoção de um conjunto de medidas para a observação da alimentação segura e saudável, mas também a implementação de atividades físicas diárias, em todas as faixas etárias, como uma forma de enfrentar esse perfil que vai se desenhando dessa forma no nosso país”.

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