PPGICS: Cultura de segurança do paciente em hospitais públicos é tema de tese

por
Graça Portela
,
12/04/2018

Com o objetivo de avaliar a cultura de segurança do paciente em hospitais públicos da Região Metropolitana do Recife (Pernambuco), Alexssandro da Silva, aluno de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação Científica em Saúde (PPGICS), do Icict/Fiocruz, fez a  sua tese de doutorado, intitulada "Avaliação da Cultura de Segurança do Paciente em Hospitais Públicos da Região Metropolitana do Recife", que será defendida no próximo dia 20 de abril (sexta-feira), às 9h.

Silva fez o levantamento bibliográfico e uma pesquisa quantitativa realizada com os profissionais da assistência – enfermeiros, farmacêuticos, médicos e técnicos e auxiliares de enfermagem, para obter os resultados de seu estudo, por meio do instrumento Hospital Survey on Patient Safety Culture (HSOPSC), desenvolvido pela Agency Healthcare Research and Quality (AHRQ), traduzido e adaptado para o contexto brasileiro em 2013.

Uma das conclusões de seu estudo é que, de acordo com o número de eventos relatados, mais de 80% dos participantes consideram que nos últimos 12 meses não foram preenchidos relatórios de eventos. O aluno do PPGICS conclui que "os membros de equipe (profissionais da assistência) precisam ser sensibilizados sobre os aspectos positivos da cultura de segurança dos pacientes e encorajados a incorporar esses aspectos em suas atividades do dia-a dia".

A defesa de tese de doutorado será realizada no Prédio da Expansão do Campus, sala 213, que fica na Av. Brasil, 4.036, em Manguinhos, Rio de Janeiro (RJ).

Defesa de Tese de Doutorado

Título: Avaliação da Cultura de Segurança do Paciente em Hospitais Públicos da Região Metropolitana do Recife

Aluno: Alexssandro da Silva

Orientador: Paulo Roberto Borges de Souza Júnior (PPGICS/Icict/Fiocruz)

Segunda Orientadora: Ana Luiza Braz Pavão (Icict/Fiocruz)

Banca:

Titulares
Dr. Josué Laguardia- PPGICS/ICICT/FIOCRUZ
Drª. Cícera Henrique da Silva- PPGICS/ICICT/FIOCRUZ
Drª. Cláudia Tartaglia Reis – SMS/MG
Drª. Mônica Silva Martins – ENSP/FIOCRUZ

Suplentes:
Dr. Christovam de Castro Barcellos Neto - PPGICS/ICICT/FIOCRUZ
Drª. Mônica de Avelar Figueiredo Mafra Magalhães - ICICT/FIOCRUZ

Data: 20/04/2018 - sexta-feira

Horário: 9h

Local: Sala 213, do Prédio da Expansão do Campus da Fiocruz

Resumo: A melhoria da cultura de segurança tem trazido grande contribuição para o processo de desenvolvimento das organizações de cuidados de saúde, fornecendo uma ampla visão institucional e uma maior confiança dos profissionais. O grande vilão da segurança do paciente – Evento Adverso – vem preocupando estudiosos, profissionais e gestores em saúde, sendo notória a necessidade de ampliar a discussão sobre a cultura de segurança nos hospitais brasileiros. 

Objetivo: Avaliar a cultura de segurança do paciente em hospitais públicos da Região Metropolitana do Recife. 

Método: Foi realizado um levantamento bibliográfico sistematizado (1ª etapa) e uma pesquisa quantitativa (2ª etapa), por meio de inquérito de base hospitalar com amostragem probabilística representativa dos profissionais de saúde, para avaliar a cultura de segurança dos pacientes, tendo como população-alvo os profissionais da assistência – enfermeiros, farmacêuticos, médicos e técnicos e auxiliares de enfermagem. Utilizou-se o instrumento Hospital Survey on Patient Safety Culture (HSOPSC), desenvolvido pela Agency Healthcare Research and Quality (AHRQ), traduzido e adaptado para o contexto brasileiro em 2013. Além da estatística descritiva (médias e proporções), foram utilizados os testes Qui-quadrado e T de Student para testar hipóteses de associação e diferenças de médias, respectivamente. Quando necessário, os testes foram ajustados para comparações de pares com o uso da correção Bonferroni. Valores de p menores que 0,05 foram considerados estatisticamente significativos. 

Resultados: Na primeira etapa, após aplicação da equação de busca na base Medline, o HSOPSC foi utilizado como instrumento de avaliação da cultura de segurança do paciente em 94,8% das publicações. Os EUA, país de origem do HSOPSC, encabeça a lista com 56 (30,4% de n=184) publicações, seguido pelo Irã (13). O Brasil, com oito publicações (4,3%), ocupou juntamente com a China a 5ª posição desta lista. 

Na segunda etapa da pesquisa, a maior parte dos participantes foi do sexo feminino (80%), estavam na faixa etária de 30 a 39 anos (33,7%) e possuíam especialização – Pós-Graduação (38,8%). Cerca de 24% dos profissionais declararam ter mais de 20 anos de trabalho na especialidade ou profissão atual, embora a maioria (56%) trabalhe a menos de 6 anos no hospital atual. A percepção geral da segurança do paciente obteve 34,8% de respostas positivas. A dimensão referente às ‘expectativas do supervisor/chefe e ações promotoras da segurança’, obteve maior proporção de respostas positivas (60%) e a dimensão referente às ‘respostas não punitivas aos erros’ a menor proporção (21,2%). No tocante à avaliação global da segurança do paciente no hospital (Patient Safety Grade), avaliada em uma única questão, 32,6% dos participantes consideraram como Excelente ou Muito Boa. Em relação ao número de eventos relatados, mais de 80% dos participantes consideram que nos últimos 12 meses não foram preenchidos relatórios de eventos. 

Considerações finais: Mais intervenções educacionais poderiam ser utilizadas, a fim aumentar as notificações de eventos e diminuir a questão da culpabilidade, de forma a crescer o foco na segurança do paciente. Os membros de equipe precisam ser sensibilizados sobre os aspectos positivos da cultura de segurança dos pacientes e encorajados a incorporar esses aspectos em suas atividades do dia-a dia.
 

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Av. Brasil, 4.365 - Pavilhão Haity Moussatché - Manguinhos, Rio de Janeiro
CEP: 21040-900 | Tel.: (+55 21) 3865-3131 | Fax.: (+55 21) 2270-2668

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