Com a chegada de um novo servidor, batizado de Curupira - figura do folclore brasileiro que atua como guardião das florestas -, os sistemas do Observatório de Clima e Saúde passam a contar com mais agilidade, segurança e capacidade de processamento.
“Estamos atuando cada vez com mais dados, não só do Brasil, mas também internacionais, como os de Moçambique, Chile e Argentina. Precisávamos ter uma grande capacidade de memória e processamento para trabalhar de forma simultânea com esses dados, com arquivos que individualmente podem chegar a um giga de tamanho, e precisam ser relacionados por meio de operações matemáticas”, conta Christovam Barcellos, integrante da coordenação do Observatório de Clima e Saúde.
O mesmo acontece para dados de saúde. Para calcular uma taxa de incidência, apesar de parecer um procedimento simples, são processados milhões de registros de casos agregados a partir de recortes territoriais, temporais e demográficos. Com o novo equipamento, o Observatório poderá manter esses códigos de processamento e as tabelas resultantes dos cálculos acessíveis e seguros.
“Na prática, o Observatório passa a operar com maior capacidade tecnológica, reduzindo gargalos computacionais e aumentando sua capacidade de produzir análises qualificadas, indicadores e sistemas de apoio à decisão voltados à saúde pública”, explica o pesquisador Raphael Saldanha.
O Curupira deve atender a duas demandas estratégicas: funcionar como ambiente de desenvolvimento de sistemas e garantir o backup seguro de dados e aplicações. Esses avanços têm reflexos diretos na atuação do Observatório, especialmente no apoio à tomada de decisões em saúde pública, em contextos que exigem respostas rápidas, como eventos climáticos extremos.
O equipamento possibilita os testes e o aperfeiçoamento dos novos sistemas desenvolvidos no Observatório, antes de sua transferência para a Sala Cofre da Fiocruz. Por não ter acesso externo direto, o novo servidor também reforça a segurança da informação, reduzindo riscos de falhas, perdas de dados ou ataques cibernéticos.
Aquisição amplia ação internacional
A conquista do servidor também reforça o papel do Observatório de Clima e Saúde como referência internacional. O Curupira servirá para apoiar a criação e o fortalecimento de observatórios em diferentes países, como Chile, Argentina, Moçambique e, em breve, Marrocos. A iniciativa faz parte do Projeto Acelerador dos Observatórios de Clima e Saúde, promovido pela Rede Pasteur, no qual o Observatório brasileiro atua como base tecnológica para o desenvolvimento e a adaptação de sistemas em colaboração com equipes locais.