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Icict amplia inserção internacional com agendas estratégicas em Portugal e Cabo Verde

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Assessoria de Comunicação do Icict
| Atualizado
Seis pessoas reunidas na sede da Fiocruz, posando para foto institucional em frente ao logotipo e às bandeiras da instituição.
A vice-diretora de Ensino, Kizi Araújo, e a coordenadora da Câmara Técnica de Ciência Aberta, Viviane Veiga, representaram o Icict em reunião no Escritório da Fiocruz em Lisboa, Portugal. Foto: Divulgação.

Em outubro, o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict / Fiocruz) intensificou sua atuação internacional em Portugal e Cabo Verde. Atividades são voltadas ao fortalecimento de redes de cooperação científica, à internacionalização do Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde (PPGICS), ao desenvolvimento tecnológico e ao aprofundamento do debate sobre temas que impactam diretamente a saúde pública, como ciência aberta, desinformação e negacionismo.

As agendas reuniram representantes do Instituto em eventos científicos de referência e em encontros institucionais com universidades e organizações portuguesas e cabo-verdianas, reafirmando o papel estratégico do Icict na produção de conhecimento e construção de soluções para desafios globais relacionados à informação, comunicação e saúde.

Presença em Portugal fortalece internacionalização e ciência aberta

Entre os dias 4 e 9 de outubro, o Icict esteve representado na 17ª Conferência Lusófona de Ciência Aberta (ConfOA 2026), realizada na Universidade do Algarve, em Portugal. A conferência é reconhecida como um dos principais fóruns da comunidade lusófona para discussão de temas como acesso aberto, gestão de dados de pesquisa, repositórios digitais, metadados e inteligência artificial aplicada à comunicação científica. O evento ampliou a visibilidade internacional do Icict e possibilitou intercâmbio com pesquisadores e gestores de diferentes países. O Icict foi representado pela vice-diretora de Ensino, Kizi Mendonça de Araújo, pela coordenadora da Câmara Técnica de Ciência Aberta do Icict e coordenadora do sistema de plano de gestão de dados FioDMP, Viviane Veiga, e pela coordenadora adjunta do Arca Dados, Claudete Fernandez de Queiroz.

De acordo com Kizi, a participação do Instituto em espaços como a ConfOA consolida sua atuação nas discussões internacionais sobre ciência aberta.

“São importantes para o fortalecimento da presença do Icict em fóruns internacionais de ciência aberta, para a atualização de tendências, ampliando o diálogo com pesquisadores, gestores e instituições de referência sobre o tema na comunidade lusófona”, conta.

Durante o evento, Viviane Veiga, também pesquisadora do Laboratório de Informação Científica e Tecnológica em Saúde (LICTS) e professora do PPGICS, ministrou uma oficina e apresentou pesquisa sobre a implementação dos princípios FAIR no campo da saúde. Coordenadora da Rede de Bibliotecas da Fiocruz, Claudete Queiroz também apresentou trabalhos relacionados à governança de repositórios digitais e à certificação de repositórios de dados de pesquisa.

Cooperação internacional gera novas oportunidades de ensino e pesquisa

Representantes do Icict também participaram, em 12 de outubro, de reunião no Escritório da Fiocruz em Lisboa, para consolidar acordos de cooperação internacional envolvendo a Universidade de Coimbra, a Universidade do Minho e a Fundação para a Ciência e Tecnologia de Portugal. Além de Kizi Araújo e Viviane Veiga, participaram do encontro Jorge Magalhães, do Escritório Fiocruz Portugal; Maria Manuel Borges, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra; Pedro Pereira e Silvia Silva, da Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra; Pedro Príncipe, da Universidade do Minho; e Filipa Pereira, da Fundação para a Ciência e Tecnologia de Portugal.

No encontro, os pesquisadores e gestores dos dois países apresentaram resultados da colaboração científica desenvolvida entre o Laboratório de Informação Científica e Tecnológica em Saúde (LICTS), o Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde (PPGCIS) e instituições portuguesas, em parceria de mais de uma década, iniciada pela professora e pesquisadora Cristina Guimarães. Os resultados incluem publicações científicas, orientação conjunta de estudantes, intercâmbio acadêmico e desenvolvimento de tecnologias para gestão de dados de pesquisa. Entre os temas abordados, destacaram-se a ciência aberta, a ciência cidadã e a gestão de dados de pesquisa em saúde.

Segundo Kizi, a formalização do acordo representa um passo importante para consolidar redes internacionais de pesquisa e ensino. “A formalização permite a consolidação de redes internacionais de cooperação acadêmica e científica, ampliando essa parceria. Possibilita, ainda, a identificação de oportunidades, para o desenvolvimento de ações colaborativas nas áreas de ensino e pesquisa, bem como o intercâmbio de alunos e professores”, afirma.

A reunião também evidenciou as conquistas já alcançadas pelas cooperações ao longo dos anos. Para a pesquisadora Viviane Veiga, a iniciativa possibilitou reunir diferentes parceiros em torno de uma agenda comum de pesquisa e inovação.

“Foi uma conquista importante conseguir reunir, num mesmo encontro, representantes de quatro instituições parceiras. Essa articulação permitiu não apenas apresentar e discutir os resultados dos projetos desenvolvidos com cada instituição, mas também promover um diálogo conjunto, identificar interesses comuns e abrir possibilidades de colaboração entre os próprios parceiros”, destaca.

As perspectivas envolvem o fortalecimento da cooperação em diversos temas da comunicação científica, incluindo ciência aberta, gestão de dados de pesquisa e interoperabilidade, inovação em saúde, além de abrir possibilidades para outros temas, como desinformação e literacia. Essa cooperação também abre espaço para a construção de novas agendas e a participação de novos atores. Para o PPGICS, a parceria poderá ampliar a participação de pesquisadores portugueses em disciplinas e seminários, além de estimular a orientação e coorientação de estudantes e a produção científica conjunta.

Instituto leva debate sobre desinformação e saúde a Cabo Verde

Nos dias 12 e 13 de outubro, o diretor do Icict, Adriano da Silva, participou do II Congresso Internacional de Enfrentamento à Fome e à Desinformação (Coniefd), realizado na Universidade de Cabo Verde, na cidade de Mindelo. Integrando a mesa-redonda Inteligência Artificial e Desinformação: Democracia e Humanidade em risco?, Adriano apresentou experiências desenvolvidas pelo Instituto no enfrentamento a fenômenos que têm mobilizado pesquisadores e gestores em diferentes partes do mundo.

Segundo o diretor, a apresentação teve como foco demonstrar como o Icict vem se posicionando diante dos desafios impostos pela desinformação. “A minha preocupação foi apresentar um pouco dessa interface, os principais pontos que têm sido discutidos, os achados que as pesquisas têm apontado. E, a partir disso, reforçar o papel fundamental e estratégico que a informação e a comunicação têm na saúde pública e coletiva. É importante lembrar que informação e comunicação não são elementos acessórios, mas sim fundamentais para se pensar a saúde pública”, explica.

O diretor do Icict Adriano da Silva no II Congresso Internacional de Enfrentamento à Fome e à Desinformação, realizado em Cabo Verde. Foto: Divulgação/Coniefd.

A mesa abordou os impactos da desinformação e das novas tecnologias na sociedade contemporânea, incluindo os efeitos da plataformização, o agravamento de desigualdades sociais, a disseminação de discursos de ódio e seus reflexos na saúde mental. Além disso, foram discutidas as relações entre inteligência artificial e cognição humana, ressaltando a importância da educação crítica e do uso ético das tecnologias.

A presença do Icict possibilitou também o estabelecimento de diálogos com representantes da Universidade de Cabo Verde, instituições brasileiras e pesquisadores de países africanos de língua portuguesa, abrindo caminhos para futuras cooperações. Para Adriano, essas iniciativas fazem parte de um movimento institucional de ampliação do alcance do Instituto.

“Agora, o Icict precisa expandir sua atuação. É estratégico e necessário que a gente volte os nossos olhares e discussões para o mundo, entendendo o que está acontecendo, criando parcerias e diálogos para juntar forças com o propósito de enfrentar esses temas e qualificar o nosso enfrentamento no Brasil”, resume.