No último domingo (12/4), o Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Cidade Universitária, foi palco da Conferência ‘Favela, Vida e Direitos’. O evento conclui uma trajetória de debates, em encontros preparatórios para formação de lideranças locais. Esses espaços foram dedicados à construção de propostas viáveis, elaboradas a partir das realidades nas favelas do Rio de Janeiro, com o objetivo de fortalecer a incidência política e o diálogo com o poder público.
A conferência contou com a atuação direta de integrantes de três iniciativas: Cria Saúde, Plantando Saúde e Impulso de Gerações. Os projetos, realizados com apoio de emenda parlamentar do deputado federal Lindbergh Farias (PT), são desenvolvidos pela Coordenação de Cooperação Social da Presidência da Fiocruz, como parte do Programa Favelas e Periferias pelo Direito à Vida, realizado em parceria com: Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), Farmanguinhos e Instituto BR.
Ao todo, aproximadamente 550 moradores de comunidades do estado do Rio de Janeiro participaram ativamente das ações do projeto, representando Cidade de Deus, Complexo do Alemão, Jacarezinho, Magé, Manguinhos, Maré, Rio das Pedras, Rocinha, Duque de Caxias, Guapimirim, Nova Iguaçu e São João de Meriti.
Os Grupos de Trabalho que se reuniram para aprofundar as discussões temáticas, basearam-se nos diagnósticos locais e na busca por soluções concretas e realizáveis para cada território. O resultado desse esforço coletivo foi a consolidação de propostas, organizadas em 10 eixos temáticos, que servirão como base para as estratégias de incidência política da conferência.
Eixos temáticos
- Democracia, Participação Popular e Fortalecimento do SUS;
- Moradia, Urbanização e Direito à cidade;
- Saneamento, Água e Infraestrutura Ambiental;
- Gestão de resíduos e sustentabilidade ambiental;
- Saúde mental, cuidado psicossocial e violência;
- Saberes tradicionais, espiritualidade e práticas comunitárias de saúde;
- Cultura, arte e produção cultural;
- Memória, patrimônio e encontro de gerações;
- Esporte, lazer e direito ao brincar;
Proteção social, educação e direitos humanos.
Plenária
A segunda parte da conferência começou com a exibição de um vídeo institucional e contou com a participação de representantes da Fiocruz, coordenadores dos cursos e do deputado Lindbergh Farias.
Yaporan Araújo (projeto Plantando Saúde) chamou atenção para o impacto de violência, racismo, exclusão e genocídio, na saúde física e emocional da população que vive nas favelas: “Essas situações trazem um adoecimento para as pessoas que vivem nesses territórios. Precisamos ser respeitados enquanto seres humanos. Preciso saber que a sociedade na qual me incluo me respeita, mas isso não vem acontecendo”.
Em seguida, Paulo Garrido (Asfoc) lamentou o crescimento do feminicídio no país e falou sobre o trabalho realizado pelo sindicato em diversos estados, visando à 18ª Conferência Nacional de Saúde. Já Leonídio Santos, coordenador da Cooperação Social da Presidência da Fiocruz, destacou o quadro de desigualdade existente no país e criticou a alta concentração de riqueza nas mãos de poucos e da pobreza nas mãos de muitos: “Esse modelo não coaduna com o direito à vida. Falar sobre isso é falar sobre promoção da saúde. As propostas aprovadas nesta conferência serão colocadas na agenda da Fiocruz e esperamos que também entrem em outros espaços de governo”.
No encerramento, o deputado Lindberg Farias agradeceu a Fiocruz e o empenho dos coordenadores e participantes dos cursos durante o projeto: “Tenho muito orgulho do que está acontecendo. Temos que ter lideranças de base que defendam seus territórios e não tenho dúvida de que diversas lideranças surgirão daqui”.
Com um dia inteiro de debates e trocas, a ‘Conferência Livre Favela, Vida e Direitos’ consolida um esforço coletivo para que as vozes das favelas e periferias cheguem com força às instâncias de decisão sobre políticas públicas nas comunidades. As propostas agora seguem para as próximas etapas de incidência política junto ao poder público.