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Do nascimento do Icict ao reconhecimento internacional: a trajetória de Célia Szwarcwald

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Assessoria de Comunicação do Icict
| Atualizado
Foto da pesquisadora Celia Szwarcwald, mulher, branca, cabelos lisos na altura do pescoço, com camisa verde e casaco branco, em sala de trabalho
ESPECIAL 40 ANOS - Icict lança série de reportagens com pessoas que constroem sua história. Primeiro episódio apresenta a trajetória da pesquisadora Célia Landmann Szwarcwald.

Há mais de quatro décadas no Icict, a pesquisadora Célia Landmann Szwarcwald acompanha de perto a própria trajetória do Instituto. Reconhecida nacional e internacionalmente por suas pesquisas na área da saúde pública, Célia está na lista de cientistas mais influentes do mundo. Ela participou da construção do campo de informações em saúde no Brasil, coordenou importantes inquéritos epidemiológicos e contribuiu para aproximar ciência, dados e comunicação. Ao longo de sua carreira, também formou gerações de pesquisadores e pesquisadoras, consolidando um legado de produção científica e compromisso com a saúde pública.

Para celebrar seus 40 anos de existência, comemorados em 7 de abril, o Icict lança uma série de reportagens dedicada às trabalhadoras e aos trabalhadores que ajudam a construir essa história. A proposta é revisitar memórias, trajetórias profissionais e transformações vividas ao longo dessas quatro décadas, destacando personagens que participaram do crescimento do Instituto e contribuíram para consolidar suas áreas de atuação em informação, comunicação e saúde. A estreia da série é com a trajetória da pesquisadora Célia Szwarcwald, do Laboratório de Informação em Saúde (LIS/Icict).

DNA do Icict é conseguir as informações.

A senhora está no Instituto desde que ele nasceu. O que mudou em 40 anos?

Bom, todos nós começamos a trabalhar na residência oficial, que não era construída exatamente para ser o Icict, era uma coisa temporária. Tinham poucas salas lá e nós ocupamos um espaço que era a chamada residência oficial, porque era a residência do ministro da Saúde, quando ele vinha ao Rio. Depois disso, se construiu esse prédio que nós estamos aqui hoje. E aí nós fomos crescendo. 

Além das informações em saúde, nós passamos também a ter uma área de comunicação. Passamos a ter várias áreas, inclusive as bibliotecas, que são maravilhosas. A gente passou a ter uma gama de trabalhos que continuam se referindo às informações, mas de várias maneiras. E isso foi muito bom. Eu acho que agora nos tornamos um instituto muito grande.

O que é o DNA do Icict?

O DNA do Icict é conseguir as informações, e isso não mudou. A gente cada vez se apodera mais das tecnologias de análise das informações e da comunicação das informações.

Qual foi o projeto que marcou sua carreira?

Olha, eu tenho alguns. O primeiro que eu comecei foi com a busca de óbitos infantis, que a gente tinha problemas em áreas indígenas, áreas muito pobres do Nordeste, do Norte brasileiro. Então, nós tivemos que fazer buscas de óbitos infantis. Isso levou a uma série de modelos para gente estimar qual era a mortalidade infantil. Esse foi bastante importante.

O segundo foi a implementação de projetos de inquéritos. Eu coordenei o primeiro inquérito da Organização Mundial da Saúde e experimentei fazer isso no Brasil. Também foi bastante importante, porque a gente participou de um projeto mundial de saúde.

Depois, o passo seguinte foi a Pesquisa Nacional de Saúde. O Ministério da Saúde me chamou para coordenar o inquérito e foi assim... a experiência foi maravilhosa com as entrevistas nos domicílios. A gente sente a população, quais são os problemas etc. 

Agora eu estou muito envolvida com pesquisas pela internet, que são pesquisas mais rápidas. Tem seus problemas metodológicos, mas são pesquisas que você logo obtém os resultados, são imediatos. Essa é uma grande vantagem.

O que as pessoas talvez não saibam sobre o Icict?

A liberdade de pesquisa que a gente tem. Qualquer campo de pesquisa.  Ninguém nunca me recriminou ou me impediu de fazer; eu acho isso muito interessante. Nós começamos a crescer muito a partir dos anos noventa. Foi cada vez crescendo mais. E hoje em dia a gente tem até uma pós-graduação que ganhou a nota máxima, é nota sete, e a gente nunca tinha conseguido isso.  Então, agora nós estamos no auge.

O que a senhora deseja para os próximos 40 anos do Icict?

Eu espero que as pessoas continuem aperfeiçoando as tecnologias. A coleta de informações é um processo árduo. Essas pesquisas pela internet vão ajudar um pouco.

Também tem a parte de inteligência artificial, que já tem pessoas aqui dentro [do Icict] desenvolvendo, nas nossas pesquisas. Eu acho que o caminho vai ser esse.

Nesses quarenta anos, eu cresci sem microcomputador, não tinha computador pessoal. Assim, eu tinha que ir até a cópia e levar uma caixa de cartões perfurados. Quando eu cometia algum erro, tinha que voltar. Então, cada vez a tecnologia vai se aperfeiçoando. Tudo foi desenvolvido muito rapidamente. Eu acho que nesses próximos quarenta anos vai se desenvolver mais ainda.