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Icict divulga fotografias históricas do massacre de Eldorado de Carajás

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Assessoria de Comunicação do Icict com informações do Projeto Acervo Ripper
| Atualizado
Foto: Familiares e militantes carregam os caixões para o enterro - Ripper/Imagens Humanas.
Imagens do Acervo João Roberto Ripper ficarão em exibição, no Armazém do Campo (Lapa-RJ), de 17/4 a 7/6

Na sexta (17/4), Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária, o massacre de Eldorado de Carajás completa 30 anos.  Marcando a data, a violência contra os povos e a natureza será o tema de debate, no Armazém do Campo, na Lapa (RJ), às 15h. Ao longo da programação, ficarão em exposição fotografias de João Roberto Ripper, um dos fotodocumentaristas do massacre, participante do debate.

Acesso rápido

As fotos de Ripper mostram momentos importantes, como o percurso das vítimas do massacre, do Instituto Médico Legal de Marabá até o enterro, em Curionópolis, a mais de 100 km de distância. Também o enterro e a segunda perícia das vítimas, então exigida pelo Governo Federal e realizada pelo legista Nelson Massini. 

Precisamos falar disso porque, depois desse massacre, vários outros aconteceram - Ripper

Acervo Ripper

Para fortalecer o debate das lutas populares e da reforma agrária, o Icict digitalizou centenas de fotografias desse testemunho histórico do massacre de Eldorado de Carajás. O material digitalizado integra o Acervo João Roberto Ripper, projeto do Icict em prol da conservação e divulgação do trabalho fotodocumentarista.  

Por mais de 50 anos, Ripper fotografou as lutas dos povos em todo o Brasil, a beleza e a diversidade, em campos e cidades, entre comunidades tradicionais, povos indígenas e favelas. Conflitos agrários, denúncias de trabalho escravo, atividades do movimento sindical e momentos históricos, como as ‘Diretas Já’, estão entre os momentos retratados, que vão compor uma exposição no Icict, prevista para junho de 2026.  

Parte do acervo já está disponível, em acesso aberto, no banco de imagens digitais da Fiocruz, o Fiocruz Imagens: Acervo João Roberto Ripper.

Para o pesquisador do Icict, Rodrigo Murtinho, o projeto está alinhado com a missão do Instituto: "Essa ideia de democratizar o acesso à informação aparece nas fotos do Ripper como uma estratégia de comunicação que também defende os Direitos Humanos".

Sobre o massacre

Há 30 anos, em 17 de abril de 1996, 21 trabalhadores rurais sem-terra, militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), foram assassinados e dezenas de trabalhadores, feridos, episódio conhecido como massacre de Eldorado de Carajás, no Pará.

Milhares de trabalhadores marchavam em direção a Belém, em defesa da desapropriação do complexo de fazendas Macaxeira, quando foram cercados por policiais. Os militantes foram ameaçados, acuados, agredidos e mutilados. Muitas das vítimas foram executadas com suas próprias ferramentas de trabalho.

Um dos responsáveis pelo registro documental da segunda perícia criminal, Ripper ressaltou a importância do detalhamento de cada fotografia: “Normalmente, você não precisa disso em uma reportagem, mas eu precisava fazer isso, porque tinha que servir como prova. Eu tinha que fotografar todos os tiros, todas as facadas, todas as estocadas, todos os ferimentos que as pessoas tinham (...)  Era extremamente triste, dava vontade de chorar”, relembra.

A reação da sociedade ao massacre foi ampla. Personalidades como o escritor José Saramago e o cantor Chico Buarque se mobilizaram em defesa do MST e da luta por reforma agrária. A violência contra o MST não deteve o Movimento e o que era a Fazenda Macaxeira se tornou o Assentamento 17 de abril, resistente até os dias atuais. Por conta do massacre, a organização internacional Via Campesina instituiu o dia 17 de abril como Dia Internacional da Luta dos Camponeses. 


Serviço

Programação 17/4

Atividade integrada da Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária 

15h
Debate ‘30 anos do massacre de Eldorado dos Carajás: Basta de violência contra os povos e a natureza!’  

  • Eró Silva, do MST  
  • Leonilde Medeiros, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro  
  • Antonio Herrera, Levante Popular
  • João Roberto Ripper, Fotógrafo  

18h
Exposição do Acervo João Roberto Ripper ( exibição de 17/4 a 7/6)

Apresentação do curta sobre o Acampamento Oziel Alves Pereira, feito pelos alunos da Escola de Cinema do Campo/MST Pará 

Local: Armazém do Campo 
Endereço: Endereço: Av. Mem de Sá, 135 - Lapa, Rio de Janeiro (RJ).  


Equipe do projeto Ripper

  • Coordenação: Tania Santos
  • Breno Crispino
  • Gabriela Dutra
  • João Roberto Ripper
  • Kita Pedroza
  • Monara Barreto
  • Pedro Turteltaub
  • Ricardo Funari
  • Rodrigo Murtinho
  • Sandra Baruki
  • Sara Gehren
  • Thiago Ripper

    *Para uso e solicitação de outras imagens do Acervo, entrar em contato por e-mail: acervoripper@fiocruz.br

Acervo João Roberto Ripper - Massacre de Eldorado de Carajás

Velório das vítimas do massacre, em Curionópolis.

Velório das vítimas do massacre, em Curionópolis.

Velório das vítimas do massacre, em Curionópolis
Transporte dos caixões dos trabalhadores assassinados de Marabá para Curionópolis

Transporte dos caixões dos trabalhadores assassinados de Marabá para Curionópolis

Transporte dos caixões dos trabalhadores assassinados de Marabá para Curionópolis
Agentes da Polícia Civil colhem depoimentos durante o velório das vítimas do massacre, em Curionópolis.  Fotografia de Ripper/Imagens Humanas

Agentes da Polícia Civil colhem depoimentos durante o velório das vítimas do massacre, em Curionópolis. Fotografia de Ripper/Imagens Humanas

Agentes da Polícia Civil colhem depoimentos durante o velório das vítimas do massacre, em Curionópolis
Familiares e militantes carregam os caixões de seus companheiros caídos em uma longa caminhada até o local do enterro em Curionópolis.

Familiares e militantes carregam os caixões de seus companheiros caídos em uma longa caminhada até o local do enterro em Curionópolis.

Familiares e militantes carregam os caixões de seus companheiros caídos em uma longa caminhada até o local do enterro em Curionópolis
Familiares e militantes carregam a bandeira do MST e guirlandas de flores em uma longa caminhada até o local do enterro, em Curionópolis.

Familiares e militantes carregam a bandeira do MST e guirlandas de flores em uma longa caminhada até o local do enterro, em Curionópolis.

Familiares e militantes carregam a bandeira do MST e guirlandas de flores em uma longa caminhada até o local do enterro, em Curionópolis
Familiares e militantes carregam os caixões em uma longa caminhada até o local do enterro, em Curionópolis

Familiares e militantes carregam os caixões em uma longa caminhada até o local do enterro, em Curionópolis

Familiares e militantes carregam os caixões em uma longa caminhada até o local do enterro, em Curionópolis
Familiares e militantes enfileiram os caixões dos trabalhadores assassinados ao lado das covas, em Curionópolis.

Familiares e militantes enfileiram os caixões dos trabalhadores assassinados ao lado das covas, em Curionópolis.

Familiares e militantes enfileiram os caixões dos trabalhadores assassinados ao lado das covas, em Curionópolis
Esposa de um dos trabalhadores assassinados se emociona durante o enterro.

Esposa de um dos trabalhadores assassinados se emociona durante o enterro.

Esposa de um dos trabalhadores assassinados se emociona durante o enterro
Trabalhador rural apóia mão sobre uma antiga lápide durante o sepultamento dos 19 companheiros assassinados no massacre

Trabalhador rural apóia mão sobre uma antiga lápide durante o sepultamento dos 19 companheiros assassinados no massacre

Trabalhador rural apoia mão sobre uma antiga lápide durante o sepultamento dos 19 companheiros assassinados no massacre